Lucy (2014)
Ficha técnica
Ação · Ficção Científica · Luc Besson · 1h 30min
Sinopse
Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente.
Veredito
Ação brutal com visão transumanista que nega a dignidade fixa do ser humano.
Análise detalhada
Lucy é um thriller de ficção científica que parte de um mito pseudocientífico: o cérebro humano usa apenas 10% de sua capacidade. A protagonista, após ingerir uma droga experimental, liberta poderes sobre-humanos que a levam de vítima a predadora invencível. A violência domina a tela: tiroteios sangrentos, corpos destroçados por telecinese, uma cirurgia cerebral exposta sem anestesia e massacres coletivos sem remorso. Essa crueza visual, justificada pela MPAA como R, exige maturidade extrema do espectador.
No fundo, o filme propõe uma antropologia perigosa. Lucy evolui para além do humano: perde empatia, amor e limites corporais para se tornar uma entidade onipresente, um 'todo' impessoal de dados e tempo. O professor Normand, figura de autoridade científica, celebra essa transcendência como o ápice da evolução, declarando que 'Deus é apenas uma palavra'. Aqui reside o risco ideológico: apresenta-se a desumanização como libertação suprema, onde o conhecimento total anula a moral, a família e os vínculos. Não há redenção nem volta à ordem natural; apenas apoteose niilista.
Para pais, Lucy apresenta um dilema claro: entretém com ação ou seduz com uma visão que reduz a pessoa a máquina melhorada? Celebra o poder sem responsabilidade, convidando a questionar a dignidade inerente do homem. Melhor optar por histórias que afirmem a grandeza humana na virtude cotidiana, não na onipotência fria.